Nem toda disfunção sexual tem indicação para fisioterapia pélvica

Entender a causa do problema é o primeiro passo para definir o tratamento mais adequado.

Ana Luiza Quadros

6/30/20262 min read

É cada vez mais comum receber pacientes que chegam ao consultório procurando diretamente a fisioterapia pélvica para tratar uma disfunção sexual.

Muitas vezes eles já pesquisaram na internet, assistiram vídeos ou receberam indicação de alguém que teve uma boa experiência.

Mas existe uma informação importante que sempre converso durante a primeira consulta:

Nem toda disfunção sexual tem indicação para fisioterapia pélvica.

Antes de definir qualquer tratamento, é fundamental compreender a causa do problema.

A disfunção sexual pode ter diferentes causas

A resposta sexual humana é complexa e depende da interação entre fatores físicos, hormonais, emocionais e relacionais.

Por isso, pessoas com sintomas semelhantes podem precisar de tratamentos completamente diferentes.

Entre as possíveis causas estão:

  • alterações hormonais;

  • doenças cardiovasculares;

  • diabetes;

  • efeitos colaterais de medicamentos;

  • alterações neurológicas;

  • ansiedade;

  • estresse;

  • depressão;

  • traumas emocionais;

  • dificuldades no relacionamento;

  • dor durante a relação;

  • alterações da musculatura do assoalho pélvico.

Por esse motivo, não existe um tratamento único para todos os casos.

O papel da avaliação médica

Antes de iniciar qualquer tratamento, a avaliação médica é essencial.

O médico poderá investigar fatores clínicos que muitas vezes não são percebidos apenas pelos sintomas.

Em alguns casos, exames laboratoriais, avaliação hormonal ou investigação de doenças associadas são importantes para compreender a origem da disfunção sexual.

Somente depois dessa avaliação é possível definir qual será a melhor estratégia de tratamento.

Quando a fisioterapia pélvica pode ajudar?

A fisioterapia pélvica pode fazer parte do tratamento quando existe indicação clínica.

Algumas situações em que ela pode ser bastante importante incluem:

  • reabilitação após cirurgia da próstata;

  • dor durante a relação sexual;

  • tensão da musculatura do assoalho pélvico;

  • dificuldades relacionadas ao controle muscular;

  • incontinência urinária associada;

  • algumas alterações da função sexual relacionadas ao assoalho pélvico.

Cada paciente é avaliado de forma individual.

O objetivo não é apenas tratar um sintoma, mas compreender como aquela alteração interfere na qualidade de vida da pessoa.

O papel do psicólogo

A sexualidade também envolve emoções.

Ansiedade, medo, experiências traumáticas, insegurança, conflitos no relacionamento e estresse podem influenciar diretamente a função sexual.

Nessas situações, o acompanhamento psicológico pode ser uma parte importante do tratamento.

Não significa que o problema "está na cabeça".

Significa reconhecer que corpo e mente funcionam juntos.

Quando diferentes profissionais trabalham de forma integrada, as possibilidades de recuperação costumam ser maiores.

Um tratamento individualizado faz toda a diferença

A fisioterapia pélvica é uma ferramenta muito importante, mas ela não substitui a avaliação médica nem o acompanhamento psicológico quando essas abordagens são necessárias.

Cada pessoa possui uma história, uma causa e necessidades diferentes.

Por isso, o tratamento mais adequado é aquele que respeita essa individualidade.

Mais do que iniciar rapidamente uma terapia, o primeiro passo é compreender por que aquela disfunção sexual está acontecendo.

A partir dessa avaliação, é possível construir um plano de tratamento seguro, baseado nas necessidades de cada paciente e, quando necessário, realizado por uma equipe multiprofissional.

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